sexta, 28 de julho de 2023 - 09:50h
Nova patente registrada no Amapá diminui custo e torna mais ágil realização de exame Papanicolau
Resultado é fruto de invenção criada por pesquisadores da Unifap, que implementaram a utilização de uma solução corante à base de urucum na realização do procedimento médico.
Por: Kelison Neves
Foto: Divulgação
Pesquisadores José Carlos Tavares, à esquerda, Edilson Leal da Cunha, no centro, e Irlon Maciel Ferreira, à direita, são os responsáveis pela nova patente do Amapá

Uma solução corante produzida a partir das sementes de urucum é a mais nova invenção do Amapá patenteada na área de ciência, tecnologia e inovação. A ideia inovadora foi registrada neste mês de julho, após setes anos de análise, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), que constatou a originalidade da técnica que moderniza a realização do exame preventivo de câncer de colo do útero (PCCU).

A solução foi inventada pelos pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap): Edilson Leal da Cunha, egresso do curso de Doutorado em Inovação Farmacêutica; José Carlos Tavares, do curso de Farmácia; e Irlon Maciel Ferreira, do curso de Química. Por meio do projeto, eles conseguiram reduzir o tempo de coloração e diminuir a quantidade de álcool etílico e xilol (líquido incolor usado como solvente em preparados farmacêuticos e em análises laboratoriais) para realizar o PCCU.

Mas, o principal resultado obtido através da fórmula, foi a substituição do corante Orange G, que hoje é utilizado no processo de diagnóstico do câncer de colo de útero, que tem um alto custo no mercado para os laboratórios e traz riscos para a saúde de profissionais e para o meio ambiente.

A ideia de criar a solução corante a base de urucum surgiu a partir da tese de doutorado do farmacêutico-bioquímico Edilson Cunha, do Programa de Pós Graduação em Inovação Farmacêutica da Unifap. Segundo o professor-doutor José Tavares, que foi o orientador do projeto, uma das etapas mais difíceis do processo que resultou na invenção foi a substituição de um produto sintético por um natural no exame de PCCU.

‘Nós começamos a testar diversas substâncias e chegamos num produto à base do urucum, mas não é só pegar a semente do urucum e fazer o solvente, tem toda uma técnica de processamento e padronização até chegarmos ao produto final, que é uma solução corante’, pontuou Tavares.

A investigação da eficácia do corante natural durou cinco anos e contou com o apoio do professor doutor Irlon Maciel no processo de caracterização e validação química do material.

Para o Edilson Leal, idealizador da invenção, o recebimento da patente mostra o quanto a nossa biodiversidade é rica e pode contribuir para saúde das mulheres, neste caso, com o diagnóstico do câncer do colo do útero.

“Um produto da biodiversidade brasileira (urucum) traz uma contribuição muito importante nessa área e fornece uma ferramenta: um corante de baixíssimo custo para fazer a substituição de um produto que é caro. A Universidade tem um produto que é barato, não dá trabalho para preparar e pode ser colocado no mercado de forma bem tranquila”, observou o Dr. Edilson Leal.

Para a Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia (Setec), a nova patente é mais uma comprovação de que o Amapá tem profissionais altamente capacitados e projetos inovadores que podem ajudar a fortalecer o desenvolvimento econômico, científico, tecnológico e inovador do estado.

"Esta patente representa mais um avanço para o Amapá, que agora está se apresentando como um estado pioneiro no campo farmacêutico. Mas, além disso, a concessão da patente é um reconhecimento, mais do que justo, da maturidade científica, de pesquisa, de profissionais e instituições e do ecossistema de tecnologia e inovação do nosso estado”, destacou Edivan Barros, gestor da Setec.

Após o registro da patente, o próximo passo dos inventores da solução corante a base de urucum é tentar colocar o produto na indústria de corantes citológicos.

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